O presidente da Anatel, Carlos Baigorri (foto acima), disse, em entrevista exclusiva ao portal Tele.Síntese, que considera muito pouco provável que metade da faixa de 6 GHz não seja destinada à telefonia celular. Entre os provedores de banda larga, existe a demanda para que a faixa seja integralmente utilizada para o Wi-Fi, o que, no entendimento dele, fugiria da tendência mundial.
A decisão brasileira de dividir a faixa segue padrões adotados por outras regiões do mundo, afeta diretamente o uso não licenciado da faixa — hoje ocupado por tecnologias como Wi-Fi 6E — e está prevista para ser implementada por meio de leilão em 2026, explicou.
Segundo Baigorri, a faixa superior dos 6 GHz (entre 6.425 MHz e 7.125 MHz) será destinada ao uso licenciado para redes móveis, enquanto a parte inferior, de 5.925 MHz a 6.425 MHz, continuará livre para aplicações sem licença. A decisão está no Plano de Destinação de Faixas de Frequência (PDFF) e segue a orientação acordada na Conferência Mundial de Radiocomunicação de 2023.
“A decisão já está tomada. O padrão internacional já está definido e o Brasil vai seguir”, afirmou Baigorri em entrevista ao site Tele.Síntese. De acordo com ele, seguir um modelo harmonizado globalmente facilita o desenvolvimento de redes e reduz o custo dos equipamentos. “Quanto mais países seguem o mesmo padrão, menor o custo da tecnologia”, completou.
A efetivação do uso da faixa de 6 GHz para o Serviço Móvel Pessoal (SMP) depende ainda da publicação de uma regulamentação específica pela Anatel. A proposta está atualmente sob tomada de subsídio, aberta no site da agência.
Entidades favoráveis ao uso integral da faixa para Wi-Fi têm criticado a decisão, mas Baigorri reforçou que não há previsão de reversão. “Se todo o resto do mundo decidir voltar atrás, o Brasil pode reavaliar. Mas hoje não há nenhuma perspectiva nesse sentido”, declarou.
700 MHz
Paralelamente, Baigorri confirmou que a Anatel também prepara o edital para um novo leilão da faixa de 700 MHz, que deve ocorrer no final de 2025. A faixa foi devolvida pela Winity após tentativa frustrada de repassá-la à Telefônica Vivo, o que foi vetado pela Anatel.
O novo leilão terá preço de entrada inferior ao praticado em 2021, quando a mesma faixa foi arrematada por R$ 1,42 bilhão. Segundo Baigorri, a elevação da taxa básica de juros (Selic) e a menor expectativa de receita futura justificam a redução. “Só a alteração da Selic já reduz significativamente o valor”, explicou.
A faixa de 700 MHz é usada hoje por grandes operadoras como Vivo, TIM, Claro e Algar. A consulta pública do novo leilão já foi encerrada e o material está em fase de análise técnica antes de ser enviado ao Conselho Diretor e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
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