O Grupo Furukawa Electric anunciou, durante a OFC Conference em São Francisco (EUA), a criação da Lightera, nova marca global que passa a reunir todas as operações de fibra óptica da companhia. A estrutura reúne fábricas e centros de competência em países da Ásia, Europa, Américas e África e será comandada pelo executivo brasileiro Foad Shaikhzadeh, que também preside o conselho global da nova organização.
Segundo o CEO, a unificação busca atender à crescente demanda por conectividade de alta capacidade, puxada por setores como inteligência artificial, data centers, redes 5G/6G e infraestrutura corporativa. A estrutura organizacional incluirá uma divisão regional para América Latina e EMEA, sob liderança de Hélio Durigan.
Durante a coletiva, Shaikhzadeh destacou o avanço das big techs na construção de redes próprias e a redução do espaço das operadoras tradicionais no tráfego global de dados.
“Quem está dominando o espaço de tráfico de dados no mundo inteiro são os operadores, são o que nós chamamos de hyperscales, data centers. Ele está na mão do grupo chamado GAFAM, né? Google, Amazon, Facebook”, afirmou.
“75% do tráfego de internet do mundo está na mão dessa turma já. Já não está mais nas operadoras de telecom”, acrescentou.
Tarifa dos EUA pode abrir espaço para cabos ópticos brasileiros
Shaikhzadeh também comentou os impactos da nova rodada de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos de fibra óptica importados. Para ele, a medida pode favorecer as exportações brasileiras.
“O Japão está sendo tarifado em 24% na exportação para os Estados Unidos. O Brasil, particularmente, ou em vários países da América Latina foram privilegiados em só ficar uma tarifa de 10%.”, observou.
A Lightera estuda adaptar suas linhas de produção e distribuição global conforme o impacto tarifário por país. “Vai ter situação eventualmente que um produto de um lugar vai ser transferido para outra unidade quando a tarifa seja menor.”, disse o executivo.
A unidade da empresa em Curitiba já está preparada para produzir cabos de até 1.728 fibras, apesar da baixa demanda local por esse tipo de infraestrutura.
ISPs terão de buscar novos modelos
Na visão do CEO da Lightera, os provedores de internet que atuam em escala regional precisarão se reposicionar frente ao novo cenário de concentração de tráfego e capital entre as big techs.
“O ISP, na verdade, ele é pequenininho demais. Para ele poder sobreviver nesse mundo, ele tem que ter parcerias muito fortes.”
Shaikhzadeh também comentou sobre a durabilidade das redes implantadas por parte dos ISPs, muitas vezes com foco apenas em custo.
“Eu acho que ele instalou muita coisa com fibra que daqui a pouco vai pifar. Não é para o resto da vida, não. Comprou barato. Se você pesquisar no mercado, você vai ver que até a operadora grande comprou barato. Fez conexão em campo. Está entrando água.”
A Lightera continuará atuando com esse segmento no Brasil, com soluções voltadas à conectividade de ponta e à gestão de redes. O executivo mencionou que a plataforma ION, desenvolvida localmente para monitoramento óptico, está sendo apresentada internacionalmente.
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